quinta-feira, 17 de março de 2016

ASAS CORTADAS


Aviões sucateados questionam-se, culpando-se e desculpando-se na busca por um meio de voltar a voar, sem cair nas mesmices do sistema com o qual não mais se adaptam. Haverá um caminho para a dignidade remunerada, ao mesmo tempo em que permaneça fiel a princípios sem os quais a liberdade de ser não existe?



Não é o meu nome, meus equipamentos ou meu corpo. 
Nem as minhas asas, nem as turbinas da motivação ou a competência do piloto. Falta-me a graça que eu sentia ao voar, acreditando nunca precisar pousar, porque lá em cima era o meu lugar.
Tantos foram os vôos, tantas foram as nuvens de sonhos, tempestades e travessias. Hoje entorpeço-me com enjoo, num chão de lembranças e ferrugem.



É mais fácil ser carregado em chão com a ajuda e admiração de amigos que cedo me viram decolar e voar alto, do que conseguir trabalho de quem acha que é tarde demais para me levantar de minhas quedas. Para esses não é aquilo que já fizemos o que importa, mas o que deixamos de fazer, não é todos os que carregamos, mas quem não mais podemos carregar. O esquecimento chega rápido pra quem não abre as asas nem faz barulho.




O dinheiro não me tira do chão.
Seu cheiro não é combustível. Preciso mais que a razão para ter um motivo. Dentre tudo o que tive, para hoje estar vivo, basta-me um sonho sensível.












Quem me viu, quem me vê, me encontrou no alto e no baixo.
Talvez aquelas asas não fossem as minhas. Talvez eu não precise mais delas. Talvez, afinal, seja melhor arrancá-las.







Após os fortes ventos da descida, encontrarei-me sem turbulências em novas brisas de subida, sem a obrigação de ser avião, em toda a sua glória de tecnologia. Porém livre... como um pássaro.


Gutto Carrer Lima
13/02/2013









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