Aviões sucateados questionam-se, culpando-se e desculpando-se na busca por um meio de voltar a voar, sem cair nas mesmices do sistema com o qual não mais se adaptam. Haverá um caminho para a dignidade remunerada, ao mesmo tempo em que permaneça fiel a princípios sem os quais a liberdade de ser não existe?
Não é o meu nome, meus equipamentos ou meu corpo.
Nem as minhas asas, nem as turbinas da motivação ou a competência do piloto. Falta-me a graça que eu sentia ao voar, acreditando nunca precisar pousar, porque lá em cima era o meu lugar.
Tantos foram os vôos, tantas foram as nuvens de sonhos, tempestades e travessias. Hoje entorpeço-me com enjoo, num chão de lembranças e ferrugem.
Seu cheiro não é combustível. Preciso mais que a razão para ter um motivo. Dentre tudo o que tive, para hoje estar vivo, basta-me um sonho sensível.
Talvez aquelas asas não fossem as minhas. Talvez eu não precise mais delas. Talvez, afinal, seja melhor arrancá-las.
Gutto Carrer Lima
13/02/2013





Nenhum comentário:
Postar um comentário